A reforma do século - Interlagos 2014

Para permanecer na F1 depois de 2014, Interlagos precisa passar pela maior reforma desde o início da década de 1990. 

Revista Warm Up mostrou detalhes de como o autódromo vai ficar e a Formula Gamer  não poderia deixar de mostrar para os apaixonados por automobilismo essa reforma que fará o Brasil permanecer com esse espetáculo que o Brasileiro tanto ama.



Não é de hoje que Bernie Ecclestone, grande chefão da F1, pressiona as autoridades paulistanas para a realização de obras de modernização no Autódromo José Carlos Pace.

 Às vésperas do fim do atual contrato – que termina com a corrida do ano que vem –, Ecclestone já afirmou à imprensa que o vínculo com Interlagos só seria renovado caso o autódromo fosse reformado.

A prefeitura de São Paulo reagiu e publicou no fim de junho um edital para a realização de uma grande obra no circuito.

A grande reclamação é com relação ao espaço destinado à circulação dos times, pilotos, convidados, patrocinadores e imprensa.

O local atual, atrás dos boxes, ficou pequeno para o gigante mundo da F1 e distante das confortáveis áreas livres nos grandes autódromos que a categoria visita todos os anos.

Assim, ou faz a reforma, ou cai fora, foi o mantra entoado por Bernie nos últimos meses. 

Mas o autódromo não vai passar apenas por uma boa obra, será uma transformação, com direito a mudança no local de largada, área de boxes, centro de controle e imprensa.

É a maior reforma desde a revitalização da pista no fim dos anos 1980, que marcou o retorno da F1 a São Paulo.



De acordo com o projeto, os novos boxes, a torre de controle e o centro de imprensa serão localizados no setor inferior e ao longo da Reta Oposta, onde atualmente parte do terreno é coberto por extensa vegetação e parte é destinada a estacionamentos. A área de construção tem 20.200 m² no total. 

Serão 40 boxes ao todo, divididos em 36 para as equipes, três para as entidades desportivas e um para inspeção técnica. As garagens ainda terão um mezanino com acesso ao centro de controle da prova. A área será climatizada e com revestimento acústico. Sobre quatro desses boxes, serão erguidos mais dois pavimentos destinados ao controle de prova, pódio e áreas de apoio técnico. 

A inspiração para a construção de novos boxes na Reta Oposta do Autódromo José Carlos Pace partiu do tradicional circuito de Silverstone, na Inglaterra.A pista quase perdeu o GP da Inglaterra para Donington Park, há alguns anos, mas o manteve, já que os donos do traçado que abrigou o GP da Europa de 1993 não conseguiram realizar as melhorias necessárias. 


Também sobre as garagens, um novo pavimento será construído para atender às necessidades das equipes e também de áreas para convidados. Logo atrás dos boxes, um segundo edifício será erguido com as mesmas características para atender aos times, além da instalação de camarotes. 


O centro de imprensa ficará em um prédio na retaguarda dos boxes. No subsolo desta construção, será feita uma sala para o trabalho dos jornalistas e de fotógrafos durante o evento, com integração às áreas de transmissão de TV. Ao todo, o espaço vai abrigar 450 repórteres e 150 profissionais da fotografia. 



O paddock, também na retaguarda das garagens, vai ganhar tratamento paisagístico, lembrando os grandes autódromos construídos sobre a batuta do arquiteto Hermann Tilke.

Os prédios terão acessibilidade por meio de passarelas e escadas. 


As obras ainda vão modificar o eixo do circuito. A Reta Oposta vai se tornar Reta Principal de Interlagos. E, conforme as exigências da FIA, ela precisará ter a largura de 15 m para acomodar com segurança os carros da categoria-mor e de competições nacionais. 

A entrada dos boxes também mudará. Os pilotos terão acesso ao pit-lane por uma via na saída da primeira perna do ‘S’ do Senna. E, por causa da alteração do local de largada, a Curva do Lago, que fica no fim da Reta Oposta, também será remodelada, atendendo às configurações da FIA, que pedem uma distância de 250 m para a linha de largada. 


As mudanças ainda vão se estender às arquibancadas. O plano é construir instalações permanentes onde atualmente se localiza o setor G, tradicionalmente os lugares mais baratos para a etapa brasileira da F1 e que todo ano são feitos com estrutura tubular. Ainda, o projeto prevê a frisagem e o recapeamento total do traçado paulistano. 


A previsão é de que a reforma seja feita em duas fases, por conta da realização do GP do Brasil de F1 deste ano, que acontece entre os dias 22, 23 e 24 de novembro. Inicialmente, o cronograma prevê o começo da reforma para outubro de 2013. A finalização está marcada para 2015.



Na primeira, serão iniciadas as novas edificações compostas pelos novos boxes e paddock, localizados na Reta Oposta, num valor total próximo a R$ 80 milhões. Na segunda fase, serão retomadas as obras de edificação dos boxes e paddock novos, aumento da Reta Oposta e acessos aos boxes, num valor estimado de R$ 68 milhões. 

2013

Junho – Publicação do edital do processo licitatório. 
Agosto – Entrega das propostas. 
Outubro – Assinatura do contrato e início das obras do paddock e dos boxes. 
Outubro e Novembro – Obras serão paralisadas por causa da realização do GP do Brasil de F1. 
Dezembro – Retomada das obras, com previsão de término até janeiro de 2014. 

Reparos e adequações da pista: Começam em outubro com a previsão de término no mesmo mês.


2014

Adequação geométrica do traçado e do pit-lane com aumento da pista em 200 m e modificações na curva do Lago, além do recapeamento total da pista e modificações de segurança, de acordo com as normas da FIA.

Início – Janeiro    Término – Setembro 

O cronograma foi enviado pela Secretaria de Obras de São Paulo.


 CBA e a reforma de Interlagos

Ainda não está certo se a reforma do autódromo de Interlagos vai ou não atrapalhar o andamento do calendário nacional de competições. Isso porque a CBA não recebeu nenhum parecer da prefeitura sobre as consequências das obras ou o tempo que o circuito paulista terá de permanecer fechado a partir do início da construção dos novos boxes. 

O presidente da entidade-mor do esporte a motor no Brasil, Cleyton Pinteiro, disse à WARM UP que como o circuito só deverá ser interditado no ano que vem, ainda há tempo para a entidade definir o que vai fazer com as diferentes categorias. 


"Eu ainda estou aguardando que a prefeitura me comunique qual será o período de fechamento do autódromo para que a gente consiga acomodar os campeonatos em outros locais. Mas, como é para 2014, temos tempo para fazer um remanejamento. Enquanto estiver fechado, nós podemos fazer corridas em outros locais", assegura. "Oficialmente, a prefeitura não informou nada a CBA."



Através do GP do Brasil o retorno de mais de R$ 160 milhões, justifica seu retorno financeiro.

Em termos de receita, a F1 representa o principal evento de São Paulo, afirma o presidente do conselho da Fecomercio SP, Marcelo Calado.

Dados do Ministério do Turismo destacam a relevância da prova para o Brasil. “O automobilismo é um evento importante para a economia turística do país”, afirma a pasta em comunicado. 

“A realização do GP do Brasil de F1 movimentou R$ 230 milhões durante o ano passado, entre investimentos de empresas particulares e gastos de turistas”, completa. 

O perfil do público do Mundial também foi traçado pelo estudo do Observatório do Turismo.

De acordo com os pesquisadores, mais de 87% são homens, com idade média de 34 anos. E mais de 45% do total tem renda superior a dez salários mínimos. Em média, cada turista deixa R$ 2,4 mil na cidade nos três dias do evento. 

Para efeito de comparação, no Carnaval, a festa popular mais tradicional do país, os foliões gastam em média R$ 728 em São Paulo, contra R$ 986 durante o Salão do Automóvel. 

Em ambos os eventos, o tempo de permanência na capital paulista é um pouco menor do que na F1. Ainda de acordo com o estudo, os gastos relacionados ao GP do Brasil são, na maioria, com hospedagem (49,4%), lazer (16,5%) e alimentação (13,6%). 


Para garantir a manutenção da F1 e continuar a movimentar a economia da cidade, a prefeitura aceitou fazer a reforma necessária e planeja investir cerca de R$ 148 milhões. O dinheiro, entretanto, não deve sair dos cofres municipais.

A gestão de Fernando Haddad busca recursos do Ministério do Turismo, que confirmou as negociações à WUp. “Há um termo de compromisso em negociação, que ainda não foi formalizado”, afirma. 

Questionado sobre os prós e contras de a verba para a obra de Interlagos sair dos cofres públicos, o representante da Fecomercio SP pondera: “Vamos começar pelos contras, que ultimamente têm aparecido. Você acaba direcionando investimentos para uma atividade econômica e beneficia menos setores”, comenta. “Acreditando que um evento como este gera trabalho e renda, as pessoas terão condições de acessar uma educação, seja ela privada ou pública, acessar saúde, seja ela pública ou não, então o que o evento traz, ele traz para o evento e principalmente para a cidade. Esses são os prós.” 

“A gente tem exemplos clássicos, como Barcelona, que impulsionou investimentos para aquela região com a realização dos Jogos Olímpicos”, lembra. “Um evento como este funciona como uma alavanca de geração de desenvolvimento, coisas que demorariam anos ou talvez não acontecessem. E a gente consegue concentrar em um curto espaço de tempo. Então, sim, eles são grandes alavancas de desenvolvimento”, reforça.





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